Embora
a maioria das missões realizadas pelo
Esquadrão Jaguar sejam reservadas,
algumas tomaram boas proporções na mídia:
O IL-62 da Cubana
Numa noite de 9 de Abril de
1982, uma aeronave Ilyushin 62 de
bandeira cubana havia entrado em território
brasileiro sem plano de vôo, e quando o
piloto era informado que deveria pousar
em Brasília para explicações,
negava-se, provavelmente confiando na
tempestade que o rodeava, pouco aconselhável
para aeronaves interceptadoras.
Eram
pouco mais de oito horas da noite quando
o Major-Aviador Paulo César Pereira foi
acionado pelo seu bip de alerta, que
havia se oferecido para tirar o alerta
durante o feriado prolongado da Semana
Santa, logo depois confirmando que se
tratava de um alerta real, o mesmo
acontecendo com o
Primeiro-Tenente-Aviador Eduardo José
Pastorelo de Miranda. Sendo o OPO
(Oficial de Permanência Operacional)
Tenente-Aviador Roberto de Medeiros
Dantas também estava de alerta, e logo
foi buscar os pilotos para levá-los à
base. Os três se dirigiam para a base
em um Fiat Uno do OPO, apenas achando
que seria mais uma interceptação à
UFOs (o mesmo que OVNIs - Objetos
Voadores Não-Identificados) mas
perceberam o mau tempo que se
aproximava.
Ao
chegarem na base, as aeronaves de alerta
já estavam prontas, o OPO indo para a
sala de controle pra contatar Brasília
e receber a missão do Centro de Operações
de Defesa Aérea - CODA -, enquanto os
pilotos se equipavam com os traje anti-g,
capacete e restritoras. Logo os pilotos
estavam aguardando nas naceles dos
Mirage enquanto já chovia e trovoava
fortemente, acabando por provocar um
blackout em toda a base, logo a energia
sendo restabelecida pelo sistema de
no-brake, com exceção dos hangares de
alerta, sistema de balizas, pista de
acesso e as luzes do hangar, que eram
novos e não estavam protegidos pelo
no-break mas logo o problema foi
contornado utilizando lanternas e os
faroletes das próprias aeronaves.
|
 |
Logo Brasília autorizava a
decolagem, os códigos de chamada dos
Mirage sendo Jaguar Negro e do
controlador do radar de Defesa Aérea
sendo Thor, com as aeronaves
dando partida nos motores e seguindo
pela pista de táxi até a cabeceira
da pista. Quando o Tenete Eduardo
(Jaguar Negro Dois) deu a partida o
sistema de navegação falhou,
atrasando um pouco a decolagem na
tentativa de solucionar o problema,
enquanto o Major Paulo César (Jaguar
Negro Um) decolava rumo proa norte. O
Mirage do Major Paulo César
atravessava as camadas de Cumulus
Nimbus (que estavam tão densas que o
radar do Mirage captava as nuvens e
acabando por "sujar" a tela
do radar), sendo informado pelo
controle que deveria subir a 31.000 pés,
enquanto que o Tenente Eduardo, que já
havia decolado e estava um pouco atrás
do Jaguar Negro Um, subiria até
29.000 pés para a interceptação.
Logo depois, o controle informava que
o Um deveria subir até 31.000 pés e
ia orientando o Dois para as distâncias
e a proa de interceptação. Logo
estavam em contato-radar mas as
espessas camadas de nuvens
atrapalhavam o radar. Foi quando o
Tenente-Coronel Anthony Blower, que
acompanhava a missão no NuCOMDABRA (Núcleo
do Comando de Defesa Aérea
Brasileira) entrou em contato com o
Negro Um, instruindo-o à pegá-lo de
qualquer jeito.

Logo o Jaguar Negro Um se lançava
na interceptação e com o alvo já
acoplado no radar, quando foi
informado pelo controle que o alvo
estava curvando à esquerda. Com o PC
(pós-combustão) do Mirage ligado, o
Um passou de Mach .98 para Mach 1.15 e
logo estava a 33.000, acima do topo
das nuvens e com tempo limpo,
conseguindo contato visual e
aproximando-se do alvo com o visor
guns/ar-ar do Mirage. O Dois também
acabara de sair das nuvens, e logo
confirmava a identificação do alvo
como sendo o Ilyushin 62 da empresa
estatal Cubana. Até esse ponto, não
era de conhecimento do Ilyushin a
presença do Mirage detrás deste.
Novo contato do controle com o Cuban
1225 para o pouso em Brasília, e
novamente a negativa de pouso e
confirmação do destino que era
Ezeiza, Argentina. Quando isso foi
dito pelo piloto cubano, foi reportado
aos oficiais superiores até o
Presidente da República.
Até
agora, o avião cubano era acompanhado
pelo controle de tráfego aéreo
normal, sem que a Defesa Aérea
tivesse entrado em contato com a
aeronave, até a hora da insistência
em não pousar em Brasília. Agora era
a hora da demonstração ostensiva de
que o Ilyushin tinha sido
interceptado. Os Mirage foram instruídos
a aproximarem do alvo e se mostrassem
para que soubesse que havia sido
interceptado. Estando a duas milhas do
alvo, os dois mirage se aproximaram do
alvo, o Um se aproximando pela ala
direita enquanto o Dois se aproximava
pela ala esquerda. Novamente os Mirage
foram instruídos, dessa vez para se
aproximarem até o lado da cabine do
piloto. Por mais que o piloto do
Ilyushin fosse avisado de que ele
havia sido interceptado, o piloto
recusava-se a creditar que alguém o
havia interceptado naquelas condições
de tempo tão desfavoráveis. Foi
nesse momento que o Major José
Orlando Bellon falou com o piloto:
"Cuban 1255, you have been
intercepted! There are two fighters
alongside your plane. You are ordered
to land in Brasília immediately!"
(Cuban 1255, você foi interceptado!
Você tem dois caças ao lado de seu
avião. É ordem do Governo Brasileiro
que pouse em Brasília imediatamente!)
Até aquele momento, o comandante do
Ilyushin falava muito ao rádio, mas
logo houve um longo silêncio nas
comunicações. De repente, o
comandante do Ilyushin falou no rádio:
"Roger, Roger, Brasília! Give
me instructions." Os cubanos
viram os Jaguares! Logo lhes foram
dadas as instruções necessárias
para o pouso em Brasília, os Miragem
acompanhando o Ilyushin até o pouso,
mas o combustível dos Jaguares já
chegava à um nível crítico. Apesar
do céu limpo em Brasília, a base de
Anápolis continuava sob forte chuva,
e logo os Mirage tocavam na pista,
apesar da baixa visibilidade e de
estarem no limite do combustível.
Hoje Paulo César Pereira é
Coronel-Aviador da Reserva e mora no
Rio de Janeiro. Eduardo José
Pastorelo de Miranda é
Coronel-Aviador e José Orlando Bellon
é Brigadeiro-do-Ar. Numa noite de
tempestade no Planalto Central, há
quase 18 anos atrás, os três foram
protagonsitas de um vôo que ficou na
história...
A
ordem de abate, autorizada pelo
presidente, general João Figueiredo,
foi abortada a 3 minutos do disparo. O
diplomata cubano estava empenhado em
chegar a Buenos Aires para propor
negociações de paz antes da chegada
do secretário de Estado americano,
general Alexander Haigh.
Fonte:
http://zairopigatto.sites.uol.com.br/HAv2.htm;
http://www.fab.mil.br/imprensa
VP-375:
SEQUESTRADO!
A
aeronave 737-300 da VASP foi sequestrado
por um cidadão insatisfeito com os
rumos políticos do país. A
história é contada no livro Caixa
Preta, de Ivan Sant´Anna.
Armado
com um revólver calibre 32, Nonato
levou pânico ao VP-375. "Na última
etapa do vôo, de Belo Horizonte para o
Rio, ele começou a atirar dentro do avião.
Primeiro acertou um comissário. Depois,
arrombou a porta da cabine com vários
tiros. Um quebrou a perna de um
co-piloto. Outro co-piloto levou um tiro
na cabeça e morreu", conta o
comandante Fernando
Murilo de Lima e Silva.

O
GDA foi acionado para interceptar e
escoltar a aeronave
sequestrada que aproximava-se
perigosamente da Capital Federal. O avião
acabou pousando em Goiânia.
A perícia e o sangue-frio de
Murilo foram impressionantes. Quase sem
combustível, com um cadáver ao seu
lado e uma arma apontada para a cabeça,
ele executou duas manobras acrobáticas
típicas de aviões de caça, e inéditas
em um Boeing: um “tonneau” e um
parafuso. No tonneau, o avião gira
sobre seu próprio eixo. No parafuso, a
aeronave mergulha numa espiral
descendente. A segunda neutralizou
temporariamente o seqüestrador,
permitindo um pouso em Goiânia, onde a
Polícia Federal assumiria o controle da
situação. Nonato, o
sequestrador, levou três tiros e
morreu dias depois. No tiroteio
o Comandante Murilo foi alvejado
na perna.
OPERAÇÃO
MISTRAL I - 1997
Foi uma operação de adestramento e
troca de informações entre a Força Aérea
do Brasil e da França. Haveria combate
dissimilar (combate entre aeronave de
características diferentes) entre os
nossos Mirage IIIE contra os Mirage 2000
franceses, o que causava certa apreensão
nos brasileiros pela inferioridade
tecnológica e uma certa
tranquilidade para os pilotos franceses.
Incumbidos da missão, o Esquadrão
Jaguar não conseguia aceitar a idéia
de ir para um combate por mais simulado
que fosse, para fazer número. Seus
oficiais buscaram algo novo, de forma
que uma aeronave que havia prestado ótimos
serviços para o Brasil não poderia ser
simplesmente abatida por outro modelo
posterior, com tecnologia mais avançada.
Os Jaguares estudaram a finco o sistema
de armas do Mirage 2000 e chegaram ao
seu ponto fraco: o Radar pulso-Doppler
com algumas restrições, até então
conhecidas por um pequeno número de
pessoas.
"(...) Logo no início da Operação,
enquanto fazia fotografias no pátio de
estacionamento das aeronaves, comecei a
notar um estranho padrão de
comportamento nas tripulações que
retornavam do vôo. Principalmente as
francesas. Ao cescerem de seus Mirage
2000, os pilotos começaram a agir de
forma estranha. Coçavam a cabeça,
discutiam com seus alas já ali na rampa
(...) Os pilotos e os mecânicos de
nossos Mirages, por sua vez, mal
conseguiam esconder uma satisfação
coletiva que de pronto tomou conta da
base. Não dava para saber exatamente o
que estava acontecendo (...) de alguma
maneira os Jaguares, com seus aviões de
outros tempos, estavam dando uma
escovada em nossos incrédulos
visitantes."
Carlos
Loch, Revista Força Aérea
"...
os franceses nos ofereceram voar na
nacele traseira dos dois M2000 biplaces
que haviam trazido, o que foi disputado
por todos os pilotos brasileiros. Nós
também tínhamos trazido dois MIII
biplaces e nenhum francês tinha pedido
para voar de "saco". O exercício
durou uma semana. Lá pela quinta-feira,
começamos a fase operacional, os vôos
em que aplicaríamos a tática. O
posicionamento tático era o seguinte:
dois MIII simulariam estar defendendo
Natal e dois M2000, vindos do oceano
tentariam romper a patrulha, abatendo
todos eles. Na quinta-feira, se não me
engano, ganhamos todos os combates. Em
um deles, contra o comandante dos
Franceses e um Capitão.(...) No dia
seguinte, havia dois franceses na porta
da nossa sala de briefing pedindo pra
voar conosco, na nacele traseira do
MIII"
depoimento
do Maj.-Av. José Eduardo Portella
Almeida,
Oficial de Inteligência do GDA em 1997,
o piloto que abateu o comandante
francês do combate dissimilar
Leitura
recomendada: Revista Força Aérea, Ano
11, nº 41.
Seja
bem vindo, Hugo Chávez...
Mais recentemente - sem que o episódio
seja confirmado ou desmentido - outro
jato de grande porte apareceu de repente
nos radares. O ilustre passageiro seria
o presidente da Venezuela, Hugo Chávez,
para uma visita surpresa ao amigo Lula.
Chegou para jantar. Foi embora às 3
horas. Identificou-se depressa, mas
ganhou a escolta de dois sinistros
Mirage.
Fonte:http://www.fab.mil.br/imprensa
Conheça
aqui
detalhes das operações aéreas
realizadas pela Força Aérea
Brasileira.
|